Tecnologia
e Emprego
Houve um tempo em que a luta de classes era marcada pelo desequilíbrio da riqueza. Agora, o que conta é o implacável acúmulo de conhecimento. Uma montanha de informação, algo tão grandioso que nem mais todos os anos que você possa viver serão suficientes para você armazená-la. Nem poderia ser diferente, pois assim que se aprende algo, lá vem alguém lhe dizer que você está ultrapassado e que, em algum lugar do planeta, um punhado de geeks já detêm tecnologia melhor. Passado o espanto, você percebe a dolorosa verdade: ou você aprende, dá um upgrade em seu conhecimento ou está fora do mercado.
Antes,
um trabalhador braçal aprendia seu ofício em casa mesmo, com seus pais e
levava poucos anos para se tornar um artífice em sua profissão. Tudo era feito
com calma, tranqüilidade e amor, assim, lentamente como o ritmo do córrego que
desliza suavemente no fundo do quintal, embalado pelo ritmo dos dias e das
noites. Hoje, um profissional de alta tecnologia leva, no mínimo, 25 anos para
conseguir uma formação razoável, além de ter que se manter permanentemente
atualizado sobre todos os novos conhecimentos de sua área, sob pena de ver todo
o
seu saber going down the drain. Em
português bem claro, ir direto para o ralo.
Você
não sabe inglês? E, por acaso, já fez um mestrado? A principal virtude de um
mestrado não é tanto o conhecimento que se adquire durante o curso, mas sim o
aprendizado de como adquirir conhecimento de forma organizada, metódica, científica.
É fascinante ver como você exercita o pensamento lógico, torna-se um
pesquisador com alta capacidade de aprender por si próprio e desenvolve
tato refinado para trabalhar em grupos. This
is gold!(*34).
A
estratégia de
um
vencedor, de um profissional de sucesso, atualmente, envolve muito mais que
somente inteligência e conhecimento. Some-se a isso grande inteligência
emocional, extrema capacidade de trabalhar em grupos, verdadeiro amor por aprender,
iniciativa e, last but not the least (*35),
criatividade. Você
não precisa definitivamente
fazer um mestrado para ter sucesso na sua vida profissional, mas é
importante verificar como age essa turma, saber o que lêem, os periódicos que
assinam, os seminários que freqüentam e falar a linguagem deles. E,
definitivamente, se você quer desbancar esse pessoal e assumir o próximo cargo
disponível, só tem um jeito: usar a criatividade. Fazer antes deles, criar
antes deles e levar os louros pelos lucros que você vai trazer para alguém.
O
brutal acúmulo de conhecimento derrama-se sobre nós, como uma tempestade de
areia fina no deserto. Rápido e caótico. Poucos têm acesso a essa esfera
rarefeita de conhecimento, dando origem a uma nova classe: a dos profissionais high-tech
, indivíduos que trabalham com tecnologia de ponta, tais como tecnologia da
informação, robótica, engenharia genética, telecomunicações, mecatrônica.
Todo
esse pessoal tem um mimo especial: acesso a salários realmente altos,
mordomias, estágios no exterior, cursos de extensão pagos pela empresa e - créme-de-la–creme
-
bônus em ações (que é o filé da coisa toda, ainda mais se sua empresa
estiver fazendo uma IPO (*36).
Os
desafios e complexidades inerentes a essas profissões, somados aos longos anos
de preparo e investimentos necessários para sua conclusão, tornam os poucos
que conseguem alcançar esse Olimpo, seres privilegiados. O que os torna assim,
tão especiais? O produto que eles vendem: domínio de, pelo menos, duas línguas
estrangeiras e conhecimento, toneladas de conhecimento refinado e lapidado,
pronto para exibição e consumo. O chato disso tudo são os requisitos para se
enxergar um horizonte de sucesso em nossas vidas. Antes, um simples curso
superior já lhe garantia um lugar ao sol. Agora, não mais. Atualmente, você
deve saber que, dependendo da carreira escolhida, terá que passar o resto de
sua vida debruçado sobre livros, pilhas deles, ou pesquisando na internet, atrás
de centenas de tutoriais, teses, grupos de discussão, além de assinar ou
comprar toda semana uma dúzia de publicações especializadas estrangeiras. E
isso tem feito a diferença.
Muita
gente que se formou em engenharia está aí, agora mesmo, dirigindo táxi ou
vendendo cachorro quente. Aquela multidão de engenheiros, médicos, advogados e
economistas formados, na maior parte das vezes, muito mais pela insistência dos
pais, que viam nessas profissões a jóia da coroa, criou uma super oferta
desses profissionais, que se reflete na desvalorização de seus salários hoje.
Somente
aqueles que se especializaram tiveram chance. Os outros, estão fazendo tudo,
menos clinicando nos hospitais ou construindo pontes.
A
vida na sociedade, que deveria nos proporcionar vantagens claras sobre a vida
nas selvas é, hoje, a negação disso tudo, pelo menos para boa parte da população.
O indivíduo que nascia livre é, hoje, prisioneiro de uma sociedade que lhe
cobra uma postura tão desafiante, tão competitiva que, para certos indivíduos,
se torna uma aposta elevada demais, um verdadeiro fardo.
A
cobrança da sociedade tecnológica e seus requisitos, estão alijando pessoas
da vida moderna. Muitos, simplesmente, desistem e vivem na miséria endêmica ou
transformam suas vidas no simples exercício de subsistência, vivendo de forma
apática e conformada.
Aqui,
em nosso país, contribui ainda, para esse processo, a disparidade da valorização
entre o trabalho manual e o intelectual, que chega a ser uma aberração. Todos
os países ricos mantêm uma relação muito mais equilibrada, mas a lembrança
da saga exploratória do colonialismo português ainda mancha nossas relações
trabalhistas. Identifica-se, nesse processo de desigualdade, uma postura
corporativista que tem sido sistematicamente incentivada por certas classes
profissionais para obterem, com isso, privilégios. O que disso resultou?
Estagnação,
desencorajamento, desengajamento, grupos inteiros de excluídos, setores imensos
da sociedade resignados a viverem na pobreza, pela própria dimensão do desafio
e repartimento de renda, via criminalidade ostensiva.
O
homem sempre teve um fascínio pela tecnologia, sempre adorou usar coisas que
subtraíssem esforço do seu trabalho. E não é para menos. Acontece que a
tecnologia tem sua face cruel dentro do contexto atual. Subtrai tanto esforço
que acaba retirando do jogo seus participantes. Uma verdade nisso tudo ficou
clara: ela é para ser utilizada e não para ser paparicada por um exército de
empregados formados em faculdades por ai.
A tecnologia é ótima para os negócios, não para aqueles que cuidam dela, já que precisa de muito poucos para isso, e o dia chegará que não precisará de mais ninguém.
Não está longe o amanhecer de uma era em que os computadores vão, por exemplo, se auto-instalar, auto-diagnosticar e você não vai mais ficar lá, que nem um louco, reinstalando sua cópia de software que perdeu umas DLL's ou seu sistema operacional detonado por um vírus.
Use e abuse da tecnologia, but be extremelly carefull (*37). Saiba que ela está caminhando para ser auto-suficiente e que você será mais útil criando coisas totalmente novas. O que valerá, definitivamente, será sua capacidade criativa e não toda essa decoreba atual.
Veja o exemplo das fábricas de automóveis, que têm reduzido sistematicamente
seus operários. A super especialização em tarefas exóticas pode ser uma saída.
Entretanto, não é a única.
Em um mundo globalizado, clientes para você é que não faltarão. O que vale,
agora, é criatividade. Senão, veja os exemplos da Yahoo, da israelense Mirabilis
e seu fabuloso ICQ, que já trocou de dono, é da AOL, da Real Networks e os seus
Real Player e Real Video e da criativa Microsoft, que soube como disponibilizar
ferramentas fantásticas a um custo muito menor que seus concorrentes. Isso só
para citar alguns.
A
tecnologia é boa para as empresas, traz lucros e isso já é um bom argumento.
Para os usuários a conta não é tão vantajosa assim: traz comodidade, mas
muita despesa também. Veja o exemplo dos telefones celulares. Hoje, até mendigo
tem celular e o que isso acrescentou de benefício na nossa vida? Para falar a
verdade, muito pouco. Nada que não pudéssemos fazer antes. Em compensação,
nosso custo mensal com conta telefônica aumentou vários dólares.
Fala-se
muito da velocidade das comunicações, da era da informação, essas coisas,
mas isso parece mais aquele papo de vendedor de automóvel: empurram um monte de
acessórios que só servem para encarecer absurdamente o carro e que só contribuem
para aumentar a tua despesa, quando aquele monte de porcaria começa a quebrar.
As
empresas gastaram uma fábula de dinheiro fazendo downsizing de seus
mainframes e
investindo pesadamente em microcomputadores, só para descobrirem,
mais tarde, a dor de cabeça que é gerenciar centenas de softwares
piratas que os usuários instalam mesmo e sobre
os quais as empresas têm pouco ou nenhum controle. Gastaram outra fortuna com a
sôfrega atualização que a indústria de software impõe aos seus usuários,
gerando custos astronômicos, sobre a desatualização de seus hardwares que,
em pouco tempo, não conseguem executar com performance adequada esses mesmos softwares
atualizados. Isso impõe aquisição de novos microcomputadores ou atualizações
de hardware. É uma bagunça. Agora elas já falam no netcomputer .
Este, na verdade, é uma volta ao passado centralizador dos mainframes,
que agora eles chamam de superservidores, plataforma alta, etc., só que com as
benesses da largura e velocidade das tecnologias de topologia lógica das redes
atuais, como Fast Ethernet, Giga Ethernet,
além da fibra ótica. Ou seja, vendem velhas idéias com nomes novos e fazem
todos de bobos. E tudo isso é vendido aos empresários em nome da redução de
custo, incremento de competitividade, produtividade. E estão certíssimos, a
coisa funciona mesmo. Só não dizem, para esses mesmos empresários, o inferno
astral que vai acontecer depois. Principalmente, custos infernais com atualizações.
A
indústria é muito cretina nesse aspecto. Inventa uma coisa e depois fica lá,
maquinando um jeito de obrigar o infeliz que comprou o cacareco eletrônico, a
ficar gastando um rio de dinheiro com sucessivas atualizações. E essas
atualizações, na maioria das vezes, são completamente desnecessárias, sob o
ponto de vista da produtividade do cliente, mas realmente eficazes para o
demonstrativo trimestral, que é disponibilizado para os acionistas do
fabricante. É uma competição desleal, até mesmo entre os empresários. Na
maioria das vezes, eles têm uma plataforma tecnológica perfeitamente adequada
às suas necessidades.
Porém,
a aquisição de uma plataforma mais moderna pelo seu concorrente mais abonado
(e que, conseqüentemente, vai trazer maior recurso tecnológico e
produtividade), o obriga a investir dinheiro de pesquisa em atualizações de hardware
e
software e ficam nesse círculo vicioso. Quem paga a conta? Eu? Você?
Não.
Quem paga a conta é o trabalhador dessas empresas mesmo. Porque chega uma hora
em que o empresário não agüenta a competição e faz uso do mesmo remédio
antigo que você usa quando sua conta está baixa. Você não manda a empregada
embora?
Cada
unidade industrial emprega cada vez menos. Cada unidade de serviço, idem. Veja
as razões desse comportamento, compare com o que está acontecendo nos países
do primeiro mundo e veja para onde o futuro caminha. O futuro caminha para os
extremos: empresários poderosos e ricos ou funcionários extremamente bem
preparados. Respire fundo, prepare-se com antecedência e escolha uma das
pontas. Não queira, nem em sonhos, ficar no meio disso. Não fazer nada é péssimo,
mas fazer mal feito é horrível, pois além de você não atingir seu objetivo,
ainda fica aquela sensação que era então melhor ter ido para a praia e ter
pego umas ondas. Pelo menos, você teria curtido a vida.
Atualmente
escolher uma profissão deixou de ser um exercício da fantasia, para tornar-se
seu passaporte para o futuro. Faça uma análise criteriosa da relação
custo-benefício. Saiba que muitas profissões atuais desaparecerão nos próximos
30 anos. Pense com toda sinceridade e seja extremamente realista. Escolher uma
profissão que você sabe tratar-se de algo que tem uma taxa de remuneração
baixíssima, mas que você adora, só é valido se você tiver total consciência
disso e bancar, no futuro, todo o sacrifício advindo de sua decisão no
passado, sem se arrepender. Nesse caso, imaginar-se vivendo no limite daqui a 20
anos é mister e veja o que você sente. Saiba com toda a certeza que, o que
hoje está ruim, amanhã vai
estar muito pior. Tente, também, levantar o perfil dessa profissão e a taxa de
remuneração ao longo dos últimos 20 anos, a demanda por esses profissionais,
etc.
Se
você fizer uma análise criteriosa e estratégica, as chances de você ter
sucesso serão muito maiores. No caso das profissões novíssimas,
particularmente surgidas de instâncias de novas tecnologias, o cuidado deve ser
redobrado. Podem durar 20 anos ou 5, a gente nunca sabe. Nesse caso, opte por um
currículo tradicional e use essa nova tecnologia apenas como especialização,
nunca como uma profissão em si mesma. Nada de aventuras, se você não nasceu
em berço esplêndido. Também todo
cuidado com os ditos MBA's (*38).
Tem muito curso no mercado que não passa de
um amálgama de novos conhecimentos jogados sobre o aluno, sem critério nenhum.
Aliás, com um único critério: o preço altíssimo. MBA bom mesmo ensina você,
principalmente, a pensar e tomar decisões. Estes, por serem realmente
excelentes, custam caríssimo, não ficam somente entupindo você de informações.
Quer
um exemplo? O MBA de Wharton, da Pennsylvania University em San Francisco,
considerado um dos melhores do mundo, custa aproximadamente $115,000 e dura, em
média, entre um e dois anos. Em compensação, você sai de lá direto
para a presidência de uma multinacional. Mas, na média, um bom MBA em uma
universidade americana, custa algo em torno de uns $45,000. Algo que, realmente,
faz uma diferença incrível nos MBA's das universidades, tanto americanas quanto
européias - principalmente na França, Alemanha e Suíça - é que
as classes são multinacionais. Isso que lhe dá uma experiência cultural e
oportunidade de investigação do tipo de pensamento deles , que é fora de série,
até por que todos os trabalhos de um curso MBA são feitos em grupo. Viver e
aprender em um ambiente assim é o paraíso aqui na terra que, infelizmente, só
alguns
privilegiados têm acesso. Sem falar que, depois do curso, você vai se sentir
um verdadeiro Deus, numa terra de ignorantes. Assim, na próxima vez, ao invés
de pedir um BMW para o seu pai, pense duas vezes. Vá para Wharton e descubra o
que é realmente viver a vida e ser feliz.
Para
suprir aqueles que não podem ausentar-se tanto tempo assim de seus afazeres,
surgiram os MBA online. Tomam dois anos, em média, do seu tempo e custam
algo em torno de $32,000. Pessoalmente, acho caríssimo para um curso
online
.
Um deles é a Kelley School of Business, da Indiana University, lançado em 1999.
Sem contar com a incrível experiência de um MBA multinacional, como descrito
acima, resta o consolo de boas indicações de livros e metodologias modernas de
investigação e a certeza de estar na crista da onda. Se você quiser saber
mais sobre cursos MBA e sobre e-learning e MBA online, veja no
site da BusinessWeek. Há mais de 250 referência lá.
Se
você não pode sumir do mapa e aparecer em São Francisco, eu pessoalmente
recomendo, como leitura obrigatória, certas bíblias da globalização.
Certamente,
as mais tradicionais têm a minha preferência. Outras, mais novas são ótimas,
mas podem nem mais existir quando esse livro for lançado, como certas coisas
que acontecem nesse mundo globalizado, que surge como modismo e desaparece sem
deixar vestígios, apesar de serem admiráveis. Tenha sempre à mão,
ou pelo menos tente, dar uma olhada com certa freqüência, na Businness Week,
PC Magazine, eCompany, Time Magazine, Neewsweek, Forbes, Wired, nas nacionais
Veja, Exame e Isto É. Além disso, sempre cadastre-se em todos os newsletters
relativos
à sua profissão, de sites nacionais e estrangeiros. Quanto mais, melhor,
porque trazem informações resumidas e são excelentes informativos do que está
acontecendo no mundo. E não se esqueça: procure ler as obras de todos os gurus
de administração modernos.
Indústria
e Comércio desperdiçam uma quantidade astronômica de esforço numa competição
que eles forjam entre si e que prejudica a todos. Principalmente o consumidor
final porque, freqüentemente - e isso é notório na indústria de software
-
na ânsia de lançar novos produtos, o fazem cheios de bugs. Depois, toma
patch,
service pack para tapar a buraqueira que eles deixaram lá, para nosso desespero.
Mas, como a competição não é o bálsamo milagroso que reduz preços e traz
benefícios a todos? Não é bem assim. A competição colaborativa,
participativa, reúne esforços de todos para o bem comum e todos saem lucrando
no final, pelo esforço de cada um em fazer de si o melhor. Mas, a competição
predatória em que se engalfinharam as grandalhonas, só traz benefícios a curtíssimo
prazo. A longo prazo, o que se vê é que a competição está tão desenfreada
que o adversário, no final, acaba comendo o seu opositor. Algo assim, bem
parecido com uma selva inóspita. E é isso que as Top 100 estão fazendo
atualmente. Na ânsia de dominar os mercados de seus rivais, estão comprando
tudo que aparece pela frente, inclusive seus rivais. Isso leva, inevitavelmente,
a cercear o consumidor de variedade. Isso lembra o supra-sumo da pirataria
inglesa.
Para
eles, nenhum navio era grande demais para ser abordado e tomado, como pode ser
lido em “A Riqueza e a Pobreza das Nações”, de David S. Landes, aliás
uma obra prima de história. Da mesma natureza é a estratégia das Multis - se
não podemos ganhar dinheiro nos negócios, o jeito é arrebatá-lo de quem o
ganha.
Piratas
modernos.
Uma
coisa realmente incrível foi a disseminação da internet, e sabe porquê?
Por
que a internet teve sua gestação nos meios acadêmicos. Não foi infectada
pelo vírus moribundo dos interesses econômicos, nasceu livre e, a despeito de
esforças contrários de toda natureza daqueles cretinos que insistem em nos
empurrar pela goela abaixo seus produtos, permanece soberanamente livre. E assim
vai continuar, para desespero de muitos. E ai reside toda a força de sua
expressão, toda a dignidade de sua conquista, feita pela sedução de um
instrumento que tem uma utilidade extraordinária a um custo mínimo e acessível
por todos com um mínimo de investimento. Isso é que eu chamo de competição
colaborativa, onde todos ganham. Até a indústria, que tanto lutou para impor
restrições, hoje se beneficia dessa tecnologia maravilhosa que é a internet,
através do comércio eletrônico, o chamado e-business.
A internet é fascinante e grandiosa, até na hora que eles erram, como erraram os investidores das dot.com (*39). Bilhões de dólares foram jogados no lixo. Parte do problema foi que a grande maioria dos investimentos fluíram para áreas nas quais ela é incremental, em lugar de revolucionária.
A verdade é que, a importância da informação e comunicação no varejo é muito menor que a logística. Ligar redes de suprimentos usando a net corta custos e melhora o tempo de resposta mas, em última instância, o que faz um fabricante prosperar é se ele consegue produzir bons produtos a baixo custo e com boa qualidade.
Quer ver outro exemplo? Os serviços de reserva online das companhias aéreas podem contribuir para o conforto do cliente e aumentar as margens de lucro por passageiro. Mas, esse serviço nada pode fazer quando surgem grandes atrasos, causados por crescentes congestionamentos de tráfego aéreo, poucos portões de embarque, aviões antiquados e problemas mecânicos nas aeronaves.
Construir um website profissional custa muito. Construir a infra-estrutura para suportar esse portal custa muito mais ainda. As pessoas pensavam que o vendedor de carros perderia o emprego, que as pessoas correriam em massa para comprar online, mas não foi bem isso que aconteceu. Na verdade, o que as pessoas ainda gostam é de tocar no carro novo, sentir o cheiro, sentar-se e fantasiar.
Na América, eles chamam varejo de retailing,
e o web commerce de e-tailing. Pois saiba que o e-tailing representa,
hoje, 1% de das vendas de varejo. Isso lá. Imagine aqui. Ainda mais, seria ótimo
se a realidade fosse o espelho de nossas fantasias. Os empresários adorariam se
todos se lançassem num frenesi de compras online, o shopping virtual
pela web, pelos WAPs. Seria, realmente, ótimo, para eles mas, gostem
eles ou não, sexo , jogos e apostas são, disparadas, as aplicações que reúnem
o maior número de fanáticos em volta de um computador. E, para piorar, querem
que façamos compras online usando
os celulares, como se fosse assim, simples, colocar a foto de uma geladeira
duplex naquele quadradinho verde. Mas, só o que conseguem é reunir um monte de
garotos japoneses mandando recados para suas namoradas, num frenesi de
torpedinhos.
A
vida é tão simples. E tão fácil encontrar nichos para se ganhar dinheiro.
Por que insistem em complicar nossos desejos?
Aliás
eu custo a entender o comportamento de certos empresários. Na ânsia de se
considerarem moderninhos tratam de adotar toda e qualquer prática
administrativa que surge lá fora. Quer exemplos? O downsizing. Foi a ruína de
muitas empresas. O outsourcing. Idem. Só funciona para empresas que trabalham
com demandas variáveis de serviço. Algumas estatais recorreram a isso e se
danaram devido a custos elevadíssimos. Os ditos callcenters. Deus me livre!
Isso é um retrocesso. Para as empresas é ótimo. Para os clientes é uma tragédia.
Atendimentos impessoais (na maioria das vezes feitas por funcionários
terceirizados) , funcionários de baixo nível, despreparados, tempo de
atendimento elevadíssimos e desconhecimento dos produtos e serviços. Um caos.
Quando o mundo caminha para a customização eles aparecem com essa. Um
contracenso.
Também
é verdade que a noção de uma empresa só de internet não é mais viável.
Assim, os vencedores serão aqueles que vêem a internet como um complemento e não
com um canibal de seus meio tradicionais de competir.
Onde
a internet é revolucionária? Nos serviços financeiros, como o home
banking
-
que é realmente sensacional. Você nunca acessou um? Não sabe o que está
perdendo. É revolucionária, também, em entretenimento, saúde, serviços
federais
e
educação. Nesse último caso, as maiores barreiras são institucionais.
Vivem dizendo que estudar online não é produtivo, que você perde a integração e a sociabilidade. Dizem tudo o que você vai perder, só não deixam que esse julgamento seja exercido por nós, e o que é muito suspeito, nunca falam da perda deles. Onde ela é incremental? Por exemplo, no varejo pelas vendas online, na manufatura pela integração da cadeia de suprimentos com a produção, se bem que o que acaba mesmo com uma indústria não é a qualidade de sua rede de informação, mas a qualidade de seu produto.
Onde a internet se destaca com
grande utilidade é no serviço de agenciamento de viagens. Essa é outra
coisa fantástica. Eu tentei acessar uns hotéis em Cancun e tem de tudo: mapas
da cidade, localização de seu hotel, fotos dos quartos que você escolheu, os
móveis, a decoração e até a vista do mar em frente a sua varanda. Você pode
efetuar a sua reserva e viajar tranqüilo. Em Nova Iorque, tem até um serviço
integrado que, uma vez que você tenha escolhido a data, a faixa de preço, o número
de pessoas e o tempo de estadia, lhe mostra uma lista de hotéis e localização
disponíveis.
Além
da internet, outro movimento revolucionário é o Open Source. O Linux,
do finlandês Linus Torvalds, é outro rebento dessa nova mentalidade que está surgindo,
uma nova mentalidade de um novo século. Trata-se de um sistema operacional de
arquitetura aberta (Open Source) que, ao ser aprimorado pela colaboração
de milhares de estudantes em todo o planeta, tornou-se uma plataforma completa e
estável a custo zero. A indústria de software estava lutando para não
suportar o Linux, dar suporte a drives, e adaptar grandes softwares ao
seu código nativo. Agora não. Outros grupos mais inteligentes já perceberam
que o Linux é apenas um pequeno representante de um iceberg gigantesco,
que atropela tudo que está em seu caminho, o caminho dos códigos abertos e
plataformas estáveis, sem os bugs dessa competição destrutiva que aí
está. O Linux foi a primeira reação da comunidade a essa palhaçada que eles
estão fazendo com a gente e com o nosso dinheiro. Eles ficam nessa de
”comprem tudo que nós produzimos que depois nós garantimos que vamos fazer a
coisa toda funcionar”.
Que feio! Se houvesse uma lei fixando que toda vez que seu software “desse pau” por bug você tivesse direito a uma indenização milionária, garanto a você que eles estariam calminhos, sem a menor pressa de novos lançamentos.
Na aldeia global, o que vale é colaboração com criatividade e não competição
predatória. Há pouco tempo, pipocaram no mercado um sem número de seminários
sobre a execução de
businness
plans
(*40),
com custos bem salgados. Foi isso. Sobraram fórmulas mágicas para
se montar um demonstrativo de negócios, tudo formalizado pela retórica acadêmica.
Falavam muito de dinheiro para montar o negócio, das necessidades de capital de
investimento, falaram tanto que esqueceram de dizer coisas tão antigas como o
lucro para quem investiu o capital no seu negócio. Para que afinal?
Montes
de investidores espreitavam, pelos cantos dos seminários, o seu plano genial.
E, claro o vil metal iria sair do seu bolso mesmo. Maquiavel diz no seu livro
“O Príncipe” que existem três tipos de cérebros: um, o dos que entendem
as coisas por si próprios; outro, o dos que entendem o que os outros entendem;
o terceiro, o dos que não entendem por si próprios e não sabem discernir o
que os outros entendem. Como os últimos são maioria em países pobres como o
nosso, o reflexo disso é uma minoria tentar impor, aqui, práticas que não
colam mais lá fora.
Mas, como a globalização agora é como um teatro ao ar livre, aquele que tenta
fazer besteira aqui é logo execrado pela multidão, mesmo que seja de rotos e
esfarrapados. Chato, né? Acabou a farra.
Isso
me lembra, outra vez, das montadoras de automóveis. No início, tentaram
vender-nos aqueles modelitos fora de linha de suas matrizes, pura sucata tecnológica
e o que aconteceu? Gastaram uma fortuna depois, para recuperar a imagem da
porcaria que tentaram vender aqui. Joãozinho tem razão: quem gosta de pobreza
é intelectual; pobre sul-americano gosta mesmo é de luxo e tecnologia.
Trata
logo de se endividar a valer, comprando tudo que era importado que desceu nas
docas.
A
sorte de nosso planeta é que ainda existe gente que sabe dizer não. Cidadãos
que têm dentro do peito a chama que o Universo não deixa que se apague jamais
e que é a essência mesmo da vida, uma expressão preciosa demais e que arrepia
o nosso empresariado só de ouvir falar: liberdade de escolha. Exerça
furiosamente seu direito de escolha, lute contra imposições castrantes e
deprimentes, que o reduzem a um ser subserviente e espoliado. Esperneie e grite
com toda força do seu ser, afinal, você é o dono do seu dinheiro. Sem o seu
dinheiro eles não são nada. Lembre-se disso. O futuro de qualquer empresa está
em suas mãos. Liquide, impiedosamente, os maus empresários porque o consumidor
é o rei e, a ele, todos devem ser subordinados. Essa é a lei natural dos negócios.
A
tecnologia tem mostrado um lado que poucos percebem. Ela forma tribos, unifica
para depois separar do bolo os seus adoradores. Intimida, mas liberta. Ela diz não
a essa pasteurização que anda solta por ai há muito tempo. A civilização,
como nós aprendemos a conhecer, sempre foi algo profundamente castrador das
liberdades do indivíduo. Sempre limitando os canais de expressão do indivíduo,
através da força dos monopólios, sempre oferecendo um leque limitado de opções
ao indivíduo em troca de seus falsos brilhantes, a civilização organizada no
patriarcado oligárquico vê a internet, essa sereia que encanta os navegantes,
atirar por terra seus sonhos de domínio e reserva de mercado. Uma profunda
injustiça sempre foi cometida contra os seres humanos, pela mídia que endeusa
ninfetas em prejuízo das mulheres maduras, esnoba o corpo que deu de seu
trabalho por toda uma vida em favor de corpos bronzeados, nutridos e bem
torneados, bombados em academias de verão. Existe uma máquina cruel que
dilacera qualquer pretensão de reconhecimento de um ser humano, que não seja
pelas curvas e músculos de seu corpo, pela beleza de rostos que a natureza
privilegiou. Essa mania de tornar mercadoria de consumo tudo que lhes cai às mãos,
criou em nossa sociedade uma multidão de excluídos, pessoas que passam pela
vida com vergonha por não se ajustarem aos padrões de beleza criados pela indústria
de marketing.
Uma nova forma de expressão está se formando. Pessoas unindo-se em um modo de vida diferente, onde o que vale é a capacidade do indivíduo pelo que ele representa, pelo que pensa, pela forma como se expressa, pela capacidade de valorizar o todo e não a parte, pelo que contribui para a humanidade e não pelo tamanho de sua – desculpem a expressão - bunda. Esse pessoal, mistura de geek com yuppie - os geepies – são aqueles que hoje se refugiam na tecnologia: sabem muito, adoram tecnologia, sabem valorizar a técnica para construir e não dominar, trocam informações em bandos, interagem entre si, aumentam sua sabedoria num nível absurdo, fazem o mesmo com seus salários, constroem uma nova era e estão deixando os demais em situação perigosa.
É a geração Z, sucessora da X Generation. Essa turma se adora. Exercita o direito de se diferenciar, de fugir da mesmice, de ser tribal, de subverter os dogmas da sociedade como só a tecnologia pode fazer. Aprenderam a desaprender rapidamente, mas não costumam olhar muito para baixo não. Como a barato deles é tecnologia, estão criando um novo dialeto. E, quem quiser, que aprenda a falar a língua deles. Além disso, transformam-se rapidamente nos novos empreendedores.
Diferente dos empreendedores do passado, marcados pelo egoísmo, pela patente, pelo copyright, pelas fórmulas secretas, essa gente, ao contrário, compartilha, troca, melhora.
A internet é a ferramenta que
possibilita essa troca de inteligência numa velocidade espantosa. É o coletivo
consciente se expressando de forma global. Os geepies
são, hoje,
o movimento embrionário de um novo tipo de civilização, onde a competição
colaborativa é o ingrediente catalisador da explosão do saber.
Em um
mundo de complexidade crescente, não há outra forma de sobreviver.
Competir
isoladamente, querendo ser o melhor em tudo, sozinho, chega a ser uma estratégia
desastrosa. Atualmente, graças ao esforço de muitos, a maioria dos trabalhos
de pesquisa tem forte fonte de referência na internet. Imagine se esse pessoal
fosse cobrar por tudo isso!
A era da informação está deixando seu rastilho de destruição. A próxima vítima desse processo de transformação será a classe média. Constituída, em sua maioria, por prestadores de serviços despreparados frente a uma tecnologia nova e complexa, a classe média só tem uma saída: enfiar a cara nos livros. Sem um investimento direto e rápido nesse fundamento não há caminho para a continuidade de seus pequenos privilégios.
É
como ocorreu no início do
industrialismo que causou uma verdadeira devastação no emprego rural na América
do século 19, obrigando massas de trabalhadores rurais a migrar para as grandes
cidades, mudando completamente o perfil profissional deles, da mesma forma já
esta acontecendo na era da informação principalmente na área de serviços,
aliás uma área onde a classe média sobra. O indivíduo pertencente à classe
média deve desenvolver uma profunda autodisciplina e o desejo de recuperar o
tempo perdido, para ajustar-se a uma nova classe de profissionais que desponta:
a dos analistas simbólicos, como bem definiu Jeremy Rifikin, em “Fim dos
Empregos”. O indivíduo deve perceber que
está entregue à sua própria sorte e
deve perseguir seus objetivos usando, para isso, todos os veículos disponíveis,
dentro dessa nova realidade tecnológica. Ficar sentado, esperando que o governo
vá criar algum plano mirabolante para diminuir o desemprego, é suicídio
prematuro.
Mercúrio
olhava os homens com curiosidade. Sim, pois faz parte da vida de deuses
superiores, o escárnio pelas mazelas que assombram aspirantes a deuses.
“Um
dia, os homens vão perceber”, pensava com ternura no olhar, “o significado
da riqueza. Mas, ainda pobres, catam pedras no meio do caminho, pois não
enxergam as verdadeiras dádivas jogadas aos seus pés, no caminho que o Rei dos
Reis deixou para eles. Faz parte da natureza do conhecimento refinar-se com o
tempo, por isso o tempo é o senhor da razão. É isso que falta aos homens
ainda: razão”.
Existe
algo novo no ar, uma nova postura, um novo modo de viver. A internet veio para
ficar. Ignorá-la é loucura; subjugá-la, uma insanidade. Nunca, em tempo
algum, os profissionais tiveram tanto acesso à informação, numa velocidade tão
surpreendente, como o têm depois do advento da web. E isso muda tudo. As
regras do jogo, agora, são outras. Saem as crianças e entram os profissionais.
O jogo está muito pesado, muito rápido e competente. Ou você encara ou está
fora.
De
que lado você quer ficar?
O espantoso de tudo isso é perceber como nós, cidadãos, somos empurrados pela história pelo advento de algo que foi levados ao estrelato somente depois que mostrou-se tremendamente útil para as empresas – leia-se lucrativo - e que nesse mesmo momento, toda a sua vida e mesmo seu modo de viver esta atrelado a massa formidável de conhecimento que essas mesmas empresa requerem de você para que elas se mantenham dentro do jogo caso você sonhe em fazer parte de alguma delas. O governo mesmo entrou mais tarde. Nesse caso, o jogo e suas regras foram alterados pelos próprios empresários.
A tecnologia atual está
requerendo
dos cidadãos um tempo de resposta e conhecimento que o compara a ela própria,
quase como uma máquina. Se você relaxa e fica ultrapassado, é tratado
como uma velha torradeira e jogado no lixo do desemprego. Ou não é assim
mesmo que está acontecendo? Então, a regra é a seguinte: estude que nem
louco, para acompanhar toda essa correria; ganhe rios de dinheiro enquanto é jovem
e tem disposição para trabalhar que nem doido. Quando você envelhecer, vai
poder fazer como as velhinhas americanas: viver passeando pelo Caribe,
numa
boa. Se relaxar e deixar rolar, easy like sunday morning (*41),
vai viver numa boa também,
depois que se aposentar, desde que bem longe da civilização e com aquela
esmola do sistema previdenciário.
Que
saudade dos mild sixties (*42),
aquele modo de vida dos suaves anos sessenta!
É o caso aqui de se perguntar: a que propósito serve essa correria toda? Ao lucro.
Viveria, a civilização, pior se nada disso estivesse aí agora? Não.
Então, para que correr?
Para se inserir num contexto. O contexto da civilização
atual, do jeito que ela é. Com poluição, crime, cidades miseráveis,
festinhas, embalos de sábado à noite, seu carrinho um-ponto-zero (que se
esfarela na primeira porrada).
Ou
seja, em troca desses pequenos mimos, sua vida é jogada no lixo e lhe entregam
um contrato de sobrevivência na selva tecnológica.
Às vezes, isso me lembra dos tempos que os portugueses aqui chegaram e encheram os nossos olhos inocentes com um monte de quinquilharias inúteis, em troca de nosso ouro, de nossas mulheres e de nossa liberdade. As Multis são os conquistadores modernos e sua tecnologia, seu espelhinho. A realidade é frustrante e você já é refém desse pessoal.
| 34 | Isso é ouro puro |
| 35 | É o mais importante |
| 36 | IPO - Initial Public Offering – quando uma empresa faz seu primeiro lançamento de ações na bolsa |
| 37 | Seja extremamente cuidadoso |
| 38 | Master in Business Administration – normalmente um mestrado ou Lato Sensu, originalmente em administração mas que agora foi estendida a outras áreas |
| 39 | Como são comumente chamadas nos EUA as empresas que têm domínio registrado na internet – empresas ponto com |
| 40 | Plano de negócios – um guia detalhado para implementação de um negócio contendo o projeto, público alvo, metas, custos, recursos envolvidos, tempo para implementação e tempo projetado para retorno do investimento |
| 41 | Tranqüilo como uma manhã de domingo |
| 42 | Os tranqüilos anos sessenta |