A hora dos desempresários
O mercado cunhou este termo cruel, desempresários, para significar aqueles que, desiludidos com a atividade de empreendedor, resolvem abandonar os sonhos e retornar ao mercado de trabalho como empregados. Este início de ano de 1999, com uma nova onda de demissões voluntárias e involuntárias, é uma boa oportunidade de se refletir sobre o que vem acontecendo no Brasil.
As histórias de sucesso rápido em startups nas áreas de tecnologia, principalmente nos Estados Unidos, e com franchises de marcas famosas no mundo inteiro, de café a lavanderia, aguçam a vontade de jovens empreendedores em queimar etapas. Se dois jovens puderam fazer o Yahoo em três anos, e ficarem simplesmente bilionários, porque eu não posso fazer o mesmo?
A realidade entretanto é que o número de empreendedores desistindo de seus sonhos vem aumentando assustadoramente. Alguns perderam suas indenizações, outros perderam apenas a oportunidade. Com um agravante, segundo nos diz uma matéria da Gazeta Mercantil na última semana do ano: o retorno dos desempresários ao mercado de trabalho não tem sido fácil.
Então, fizemos uma lista dos problemas mais comuns no início de empreendimentos, lista esta que poderá ser útil a futuros candidatos a empresários na hora de tomar a sua própria decisão:
- Excesso de otimismo. Tudo dará certo, o mercado é comprador, não existe concorrência, nós dominamos a tecnologia.
- Falta de um business case realista, que mostre previsões e cenários para o primeiro ano de vida do empreendimento, com estimativas de desembolso e retornos financeiros. Avaliação criteriosa do investimento em recursos materiais, humanos e de tempo necessários para deslanchar a idéia.
- Falta de experiência com números ou falta de alguém com visão financeira para assessorar o empreendedor. Isto inclui também não levar em conta a inadimplência de clientes.
- Falta de tempo do empreendedor ou de alguém exclusivamente para se encarregar do marketing.
- Falta de experiência no ramo escolhido, ou total inadequação ao tipo de trabalho (por exemplo, um executivo que passa a ser dono de posto de gasolina).
- Avaliação incorreta do nível de esfôrço e de comprometimento que será necessário, inclusive da família. Em geral, o início de um empreendimento exige 24 horas de dedicação.
- Falta de velocidade. Oportunidades novas exigem velocidade, para estar sempre alguns passos à frente da concorrência.
- Solidão. Muitos novos empreendedores, acostumados a trabalhar em grandes equipes e a trocarem idéias com seus pares, são obrigados a fazer tudo sozinhos, e passam a achar intolerável não ter com quem dividir as decisões.
- Continuar a pensar (e gastar) como empresa grande. Isto tem sido particularmente difícil de largar para quem veio de muitos anos em multinacional.
- Não colocar como meta de negócio a de ser um competidor do mais baixo custo possível. Isto matou, por exemplo, alguns fabricantes e revendedores de PCs, que acharam que podiam administrar o preço.