Capital Intelectual - a nova riqueza das nações.
 

Nesta era do conhecimento, existe uma forma de capital mais valiosa do que o capital financeiro ou o capital imobilizado. Uma forma que não é facilmente vizualizada e muito raramente incorporada ao valor de mercado de uma empresa, porque ainda não existe uma norma contábil universalmente aceita para isto.

Trata-se daquele capital que reside na cabeça das pessoas ou é proveniente do trabalho e da criação do intelecto. Quando a Microsoft anuncia que pretende faturar 1 bilhão de dólares na América Latina até 2001, o que a colocará no mesmo nível de grandes grupos industriais, é razoável indagar onde estão as fábricas, o maquinário e os inventários que justificam esta ordem de grandeza de faturamento, e as consequentes margens de lucro.

Certamente eles não existem, ou existem em um patamar infinitamente mais baixo que um grupo Votorantim, ou uma YPF, ou mesmo uma Televisa. Por isso mesmo, a Microsoft é hoje a quintessência da presença do capital intelectual na mudança de século, embora a própria indústria de software, com suas milhares de empresas no mundo inteiro, seja apenas uma parte desta história.

O capital intelectual também é usado nas empresas mais típicamente representativas da era industrial e pós-industrial, há muitas décadas. Ele é representado pela experiência acumulada, como é o caso da Usiminas, que exporta tecnologia de fabricação do aço para outros países. É representado pelo esfôrço de pesquisa em novos métodos, como é o caso da produção de petróleo em águas profundas, desenvolvida pela engenharia da Petrobrás. É também o talento e o nível de eficiência atingidos pelos Bancos Itaú e Bradesco no uso de computação bancária. E também é   o esforço de capacitação de antigos e novos médicos, realizados pelo Instituto do Coração e o Hospital Abert Eistein, em São Paulo.

O capital intelectual reside na cabeça das pessoas, nos bancos de dados corporativos, nas metodologias de trabalho, no domínio de tecnologias emergentes e no aprimoramento de processos. A Fundação Christiano Ottoni, de Belo Horizonte, desenvolveu uma extraordinária capacitação em métodos de qualidade, repassados a uma infinidade de empresas e instituições brasileiras, a partir de idéias e experiências obtidas no Japão.

Quanto vale uma empresa? Porque as ações da Netscape tiveram uma subida vertiginosa no mercado, em seguida ao seu lançamento, e em total desacordo com o valor de seus ativos (apesar da recente queda)?

As respostas devem levar em conta o capital intelectual utilizado, que também pode ser medido pela diferença entre o valor de mercado de uma empresa, e seu valor escritural ou contábil.. Em algumas áreas ele se tornou mais valioso que as outras formas de capital, dizendo-se que esta ou aquela indústria é de cérebro-intensivo. É o caso, por exemplo, da indústria farmacêutica, da fabricação de chips, assim como das novas empresas de biotecnologia.

O Capital Intelectual, segundo Leif Edvinsson (a primeira pessoa no mundo a assumir uma diretoria com este nome, função criada em 1991 na empresa sueca Skandia) pode ser entendido como compondo-se de três partes: Capital Humano, Capital Estrutural, e o Capital de Clientes. A experiência da Skandia, uma empresa de serviços financeiros e de seguros, é muito interessante, porque mostra como os métodos tradicionais de avaliação e medição de uma empresa são insuficientes para explicar todo o valor que ela representa. Eles foram os primeiros a publicar um relatório anual composto de duas partes: a referente a bens tangíveis e o referente a bens intangíveis.
 
 

Leituras recomendadas.
1. Intellectual Capital - Thomas Stewart
2. Intellectual Capital - Leif Edvinsson e Michael Malone